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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Entrevista de henrique portugal ao Vagalume

Há dois anos o Vaga-lume entrevistou Henrique Portugal pela primeira vez. Era o lançamento do disco "Carrossel", um disco que causou estranheza tanto nos fãs mais novos como nos que ouviam a banda desde os anos 90. Agora o grupo está lançando seu oitavo disco de estúdio, "Estandarte". Estão de volta os ritmos dançantes, as programações eletrônicas e o produtor Dudu Marote.
Foto: Weber Pádua

Henrique PortugalAo mesmo tempo foram mantidas a pegada roqueira e a influência dos Beatles em um disco que pode agradar tanto quem gostava de "Garota Nacional" como os que só foram prestar atenção no grupo a partir do ano 2000 com o álbum "Maquinarama". Para falar mais sobre o disco e também sobre a nova realidade do mercado fonográfico, que não poupa nem os artistas mais consagrados, falamos novamente com o tecladista Henrique Portugal.

A última vez que entrevistamos vocês foi no lançamento do "Carrosel". Como você vê aquele disco agora?
É engraçado isso, porque quando o disco sai a gente fala sem parar nele e depois pára. Eu acho que o "Carrossel" olhando depois de um certo tempo, é um disco muito bacana, mas ele é um disco mais "cancioneiro". E disco é uma coisa meio maluca. Quando você lança um novo álbum ele entra dentro de um contexto mercadológico, envolvendo rádio e outros ambientes onde você não tem controle. Você não sabe se vai ter um mega-hit como Vou Deixar ou não. No final das contas eu acho o "Carrossel" um disco vitorioso. Ele vendeu bem, com ele ganhamos o primeiro celular de ouro no Brasil, o que achei algo super bacana. Agora se eu falasse que ele teve algum hit do tamanho de Vou Deixar, eu estaria mentindo.

Ainda que há tempos se fale em queda da venda de CDs, downloads e pirataria, acho que foi só de uns dois anos pra cá que isso realmente se cristalizou. Como vocês lidando com essa situação que deixou de ser previsão para virar um fato concreto?
Teve isso também. A indústria fonográfica ali sofre um baque maior. Mas acho que a indústria vai achar uma solução pra isso. Porque, convenhamos baixar música é um saco (risos). Às vezes é a resolução que vem baixa demais ou você grava num CDR pra escutar no carro e depois de três audições ele começa a pular porque a mídia é de péssima qualidade. Então eu acho que na hora em que a indústria achar uma solução tecnicamente viável dentro desse universo a tendência é que as coisas dêem uma estabilizada.


Ouvindo o "Estandarte" a gente tem a impressão de que o disco marca o início de uma nova fase para a banda. É isso mesmo?
Acho que sim. Dessa vez a gente deu uma relaxada, tanto no lado das referências musicais como na maneira de gravar. As vezes ficávamos o dia inteiro tocando uma música só, exatamente para achar alguma solução que fosse diferente. Aquela história de "buscar uma nova receita usando os mesmos ingredientes". Nós também quisemos voltar a ser uma banda mais pulsante, já que o "Carrossel" foi quase um disco folk que também tinha aquela coisa de mistura de ritmos e BPMs e músicas que começavam lentas, depois ficavam rápidas e terminavam lentas novamente. Dessa vez a gente quis simplesmente relaxar e nos divertir. Nós continuamos fazendo shows durante as gravações, uma coisa que nunca tínhamos feito também.

Vocês também voltaram a trabalhar com o Dudu Marote (o produtor dos álbuns "Calango" e "O Samba Poconé") .
Porque reataram essa parceria? Rolaram algumas histórias de atritos entre vocês e ele. Teve isso?
O Dudu fez o remix de
Seus Passos, no ano passado. Depois ele produziu a nossa versão de Beleza Pura para a abertura da novela. Acabou que chamamos ele pra fazer o disco também. Quanto aos atritos, existem alguns que são benéficos. Como o Skank é uma banda que tem seu próprio estúdio e toca há muito tempo, rolava às vezes um excesso de zelo de certos produtores. Aquela coisa de não falar nada por achar que a gente já sabe o caminho. É é bom ter uma pessoa que diga: "Olha, tá tudo errado", ou "isso tá legal mas vocês podem fazer melhor". E o Dudu tem intimidade com a gente e um nível de informação suficiente para fazer uma crítica construtiva. É um produtor que sabe mudar a direção de uma música com informação. Mesmo que lá na frente ele fale pra gente: "galera, vocês estavam certos, esquece tudo o que eu falei" (risos).

Dessa vez vocês também não trouxeram novos letristas ou compositores para o grupo. Mas o Nando Reis nunca escreveu tanto com o Samuel quanto dessa vez. Fale dessa parceria e amizade entre o Skank e ele.
É que nas outras vezes, o Nando Reis muitas vezes tava acabando o disco dele ou fazendo outras coisas. E dessa vez não. E acho que ele foi muito feliz. A letra de Sutilmente é belíssima.

Como funciona a parceria?
O
Nando Reis é da turma do MP3. Diferente do Chico Amaral (o letrista mais freqüente da banda) que fica o dia todo no estúdio. Já com o Nando é MP3 pra cá e MP3 pra lá. No caso de Sutilmente a letra veio antes da música. Já em Ainda Gosto Dela foi o contrário.

E a participação da Negra Li? De quem veio a idéia de chamá-la para cantar na música?
Essa música foi gravada num tom baixo e no refrão o Samuel começou a fazer uma voz muito alta. Foi quando tivemos a idéia de chamar alguém pra cantar essa parte com ele. Começamos a pensar em nomes e surgiu o da
Negra Li que nós todos admiramos. Ela foi em Belo Horizonete gravar e foi super tranqüila. No site dá pra ver ela gravando toda sorridente. O convite foi feito pelo Dudu, que é amigo dela.

Teve algum disco ou artista novo ou não que tenha influenciado vocês na hora de fazer esse disco?
Teve sim, uma banda nova que não se você conhece chamada Skank (risos).A gente brinca, mas a verdade é que a grande referência para esse álbum fomos nós mesmos. A gente se permitiu se auto-referenciar, mas sempre buscando coisas novas, como na música Chão onde o Samuel canta em falsete, coisa que ele nunca fez. Tem próprio Ainda Gosto dela, que é uma coisa diferente pra gente, pelo menos eu acho. Isso é que dá gosto na hora de fazer um trabalho. Diria que a gente se divertiu bastante pra fazer esse álbum.
E o seu programa de rádio. Como está? Tem algumas bandas novas daqui para indicar para os nossos leitores?
O programa está agora no
MySpace e segue mostrando as novidades da nossa cena independente. Entre as bandas eu recomendo o Udora que nem é tão novo assim e o Sabonetes que é muito bacana e um cara de Belo Horizonte chamado Renegado.

E essa cena de festivais independentes. Vocês já tocaram em alguns não?
Sim, a gente fez MADA, Abril Pro Rock, Porão do Rock em Brasília... O problema é que como a gente ficou muito grande, ás vezes colocar a gente num festival desse tipo é como colocar um elefante perto de uma cristaleira. Fica uma coisa meio desconjuntada. Mas a turma hoje em dia está mais organizada, arrumando patrocinadores interessantes. E tem o lance da ABRAFIN (Associação Brasileira dos festivais Independentes) que está funcionando super bem.

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